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A história por trás de "Rehab": como Amy Winehouse transformou sua luta pessoal em um dos maiores sucessos do século

Relato de Mark Ronson revela os bastidores da criação da música que se tornou símbolo da carreira da cantora britânica e refletiu sua relação conturbada com os vícios


17/06/2026

Amy Winehouse  Reprodução // YouTube @AmyWinehouse


Poucas canções traduzem tão bem a vida de um artista quanto “Rehab”, um dos maiores sucessos de Amy Winehouse. Lançada em 2006 no álbum Back to Black , a música se tornou um marco da carreira da cantora britânica, não apenas pelo sucesso comercial, mas também pela forma direta com que retratava um dos capítulos mais delicados de sua vida.


Ao longo de sua trajetória, Amy transformou experiências pessoais em arte. Questões relacionadas à dependência química, ao consumo excessivo de álcool, aos relacionamentos turbulentos e à saúde mental foram temas recorrentes em suas composições. Sua autenticidade ajudou a torná-la uma das vozes mais influentes da música contemporânea, mas também expôs ao público uma batalha que acontecia longe dos palcos.


Em entrevista concedida anos após a morte da cantora, o produtor Mark Ronson relembrou como nasceu “Rehab”, faixa que acabou se tornando um dos maiores símbolos da artista. Segundo ele, a inspiração surgiu durante uma conversa em que Amy relatava a pressão da família para que buscasse tratamento.


Ronson contou que ficou impressionado com a forma como ela reproduziu a frase que daria origem ao refrão da canção. A resposta negativa da cantora aos pedidos para ingressar em uma clínica de reabilitação possuía um ritmo e uma musicalidade que imediatamente chamaram sua atenção. A partir dali, surgiu a ideia de transformar aquela história em música.


O produtor faz questão de destacar que a gravação só aconteceu porque, naquele momento, Amy demonstrava estar em uma fase mais estável. Segundo ele, a cantora estava focada em seu trabalho e apresentava sinais de recuperação, o que tornou possível abordar um tema tão delicado dentro de um contexto artístico.


Naquele período, Amy trabalhava na criação de Back to Black, álbum que consolidaria seu nome na história da música. O disco nasceu em meio a uma fase de reconstrução pessoal e criativa, mas também foi marcado por acontecimentos dolorosos. Entre eles, a morte de sua avó Cynthia Winehouse, uma das figuras mais importantes em sua vida e grande inspiração para sua paixão pelo jazz.


Apesar do enorme sucesso alcançado por Back to Black, os anos seguintes continuaram sendo marcados por desafios. Problemas relacionados ao álcool, às drogas, aos transtornos alimentares e à intensa exposição midiática acompanharam a cantora até os últimos anos de sua vida.




Em julho de 2011, Amy Winehouse foi encontrada morta em sua residência em Camden, Londres. A investigação concluiu que a causa da morte foi intoxicação alcoólica acidental. A artista tinha apenas 27 anos e passou a integrar o chamado “Clube dos 27”, grupo informal que reúne músicos que morreram nessa mesma idade, como Jimi Hendrix, Janis Joplin, Jim Morrison e Kurt Cobain.


Mais de uma década após sua morte, Amy Winehouse continua sendo lembrada não apenas por sua voz inconfundível e talento extraordinário, mas também pela honestidade com que transformou suas fragilidades em arte.



POR: Tamiris Felix