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Milton Nascimento — Reprodução // Instagram @miltonnascimento
Milton Nascimento conquistou uma importante vitória judicial envolvendo uma das músicas mais marcantes da história da música popular brasileira. A Justiça de São Paulo reconheceu que o cantor voltou a ser titular dos direitos patrimoniais de “Travessia”, clássico lançado em 1967 e considerado um dos grandes símbolos da carreira do artista.
A decisão foi tomada pela 15ª Vara Cível do Foro Central de São Paulo e determinou a rescisão do contrato de edição musical firmado há quase seis décadas entre Milton e a Editora Musical Arlequim. A sentença é de primeira instância e ainda pode ser contestada.
Com a decisão, a editora deixa de ter autorização para administrar os direitos comerciais da canção, como liberar o uso da música por terceiros ou receber valores relacionados à exploração da obra. Em caso de descumprimento, foi estabelecida uma multa de R$ 5 mil por ato, enquanto uma possível indenização por perdas e danos será definida posteriormente.
A ação foi aberta em fevereiro de 2025 e pedia o encerramento do vínculo com a editora, além de uma compensação financeira pelos prejuízos alegados. Agora, a titularidade da obra retorna para Milton Nascimento, Isabel Ferreira Brant, viúva do compositor Fernando Brant, e as editoras que representam os autores atualmente.
A vitória judicial acontece em um momento delicado para o cantor, que completou 83 anos e recentemente recebeu alta após uma internação por pneumonia. Milton também convive com o diagnóstico de Parkinson e demência por corpos de Lewy, condição revelada pela família em 2025.
Composta por Milton Nascimento e Fernando Brant, “Travessia” nasceu em 1967, durante um período de grandes transformações no Brasil. A música ganhou projeção nacional após ser inscrita no 2º Festival Internacional da Canção por Agostinho dos Santos, sem que Milton soubesse inicialmente.
A canção conquistou o segundo lugar no festival e se tornou o ponto de partida para a carreira internacional do artista. A letra, que fala sobre dor, perda e recomeço, também passou a ser interpretada por muitos como uma obra carregada de simbolismos relacionados ao período da ditadura militar.
Ao longo das décadas, “Travessia” foi regravada por grandes nomes da música, como Elis Regina, Jair Rodrigues e Sarah Vaughan, além de ganhar uma versão em inglês chamada “Bridges”. A música também chegou a ser interpretada pela cantora islandesa Björk em português.
Considerada uma das sementes do movimento Clube da Esquina, a obra ajudou a abrir caminho para uma nova sonoridade brasileira, reunindo influências da bossa nova, jazz, rock e da música tradicional mineira.
POR: Tamiris Felix
Milton Nascimento recebe alta após internação por pneumonia e seguirá tratamento em casa













