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Keffe D, Tupac Shakur — Reprodução // Redes Sociais
Três décadas depois de um dos assassinatos mais emblemáticos da história do hip-hop, o caso Tupac Shakur finalmente chega a um novo capítulo nos tribunais. Começa nesta segunda-feira (10), em Las Vegas, o julgamento de Duane “Keffe D” Davis, ex-líder da gangue South Side Compton Crips, acusado de ter organizado a morte do rapper.
Tupac foi baleado na noite de 7 de setembro de 1996, quando estava em Las Vegas para acompanhar uma luta de boxe de Mike Tyson. O artista tinha apenas 25 anos e morreu seis dias depois, em 13 de setembro.
A promotoria sustenta que Davis foi o responsável por planejar a vingança contra Tupac e por fornecer a arma utilizada no ataque. A acusação está ligada a um confronto ocorrido horas antes do crime, no qual Tupac e o então chefe da Death Row Records, Marion “Suge” Knight, agrediram Orlando “Baby Lane” Anderson, sobrinho de Davis.
Segundo os promotores, o episódio teria desencadeado uma retaliação que terminou com os disparos contra o carro em que estavam Tupac e Suge.
Um dos crimes mais famosos do hip-hop
O assassinato de Tupac permaneceu sem uma condenação por décadas e se tornou um dos maiores mistérios da cultura pop americana. O rapper era uma das principais figuras da rivalidade entre os artistas da Costa Oeste e da Costa Leste dos Estados Unidos.
Dono de sucessos como “California Love” e “All Eyez on Me”, Tupac havia se transformado em um dos maiores nomes do rap mundial. Sua morte também seria seguida, poucos meses depois, pelo assassinato de The Notorious B.I.G., ligado à Bad Boy Records, rival da Death Row.
A disputa entre as duas gravadoras ajudou a alimentar uma das maiores rivalidades da história do gênero.
Memórias ajudaram a reabrir o caso
A investigação permaneceu praticamente parada durante anos, até que Davis publicou suas memórias em 2019. No livro, ele afirmou que estava no banco dianteiro do Cadillac branco utilizado no ataque contra Tupac.
Davis também relatou que entregou uma pistola para alguém que estava no banco traseiro do veículo, embora nunca tenha identificado quem teria efetuado os disparos. Os outros ocupantes do carro morreram ao longo dos anos.
As declarações, consideradas compatíveis com relatos que ele já havia dado anteriormente à imprensa, acabaram se tornando parte importante da investigação. Davis foi preso em setembro de 2023 e posteriormente acusado pelo assassinato.
Agora, porém, o ex-líder dos South Side Compton Crips mudou sua versão e afirma ser inocente.
“Sou inocente. Nunca matei ninguém. Eles não têm nenhuma prova contra mim”, declarou em entrevista à ABC News em março de 2025, enquanto estava preso.
O que o julgamento pode esclarecer
Aos 63 anos, Davis pode ser condenado à prisão perpétua sem possibilidade de redução da pena, caso seja considerado culpado.
Ainda assim, o julgamento provavelmente não responderá a todas as perguntas que cercam a morte de Tupac. A acusação pretende demonstrar que Davis organizou o ataque e forneceu a arma, mas identificar definitivamente quem estava por trás do gatilho continua sendo uma das principais questões do caso.
A primeira etapa do processo será a seleção do júri, prevista para durar aproximadamente uma semana. Depois disso, começam os argumentos e a apresentação das provas que poderão finalmente levar a uma conclusão judicial para um crime que marcou para sempre a história do hip-hop.
POR: Tamiris Felix













