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BTS, Michael Jackson — Reprodução // Redes Sociais
O BTS decidiu transformar a própria ausência em um protesto. O grupo sul-coreano retirou o álbum “Arirang” da disputa pelo Grammy Awards em resposta à criação da categoria Best Asian Pop Music Performance, destinada a reconhecer especificamente artistas asiáticos do pop.
A decisão colocou novamente em discussão a forma como a indústria musical norte-americana classifica artistas de acordo com origem, idioma e mercado. Em comunicado, o septeto afirmou que gostaria que sua música fosse avaliada pelo impacto artístico, e não separada por região.
“Esperamos que a música possa ser ouvida e amada pelo que é, em vez de ser dividida por região ou idioma.”
Para o BTS e sua enorme base de fãs, a preocupação é que a nova categoria funcione como uma espécie de espaço separado para artistas asiáticos, dificultando a presença do K-pop nas principais disputas da premiação, como Álbum do Ano, Gravação do Ano e Canção do Ano.
Comparação com Michael Jackson
O boicote ganhou ainda mais repercussão depois de uma análise publicada pelo The New York Times. O jornal classificou o BTS como possivelmente o maior fenômeno musical global desde Michael Jackson e apontou que o grupo possui uma dimensão internacional capaz de colocar em xeque estruturas tradicionais da indústria.
A publicação traçou um paralelo entre a trajetória do grupo sul-coreano e as dificuldades enfrentadas por Jackson nos anos 1980. Naquele período, o cantor também encontrou barreiras para ser reconhecido nas principais categorias da indústria, enquanto a MTV resistia à exibição de videoclipes de artistas negros.
O sucesso comercial acabou ajudando a mudar esse cenário. Jackson se tornou uma das maiores estrelas do planeta e passou a representar uma força impossível de ignorar pelo mercado.
Agora, segundo a análise do jornal, o BTS ocupa uma posição semelhante ao desafiar as fronteiras estabelecidas entre música “mainstream” e categorias associadas a determinados grupos étnicos ou regiões.
Debate vai além do K-pop
A discussão também envolve a própria expansão do Grammy. A premiação, que começou em 1959 com 28 categorias, hoje possui cerca de 100. Para o The New York Times, a multiplicação das categorias também revela uma longa tradição de segmentação dentro da indústria fonográfica.
A criação do prêmio dedicado ao pop asiático seria, nessa visão, mais um exemplo de como o mercado tenta acomodar fenômenos musicais que ultrapassam as classificações tradicionais.
O jornal também cita outros episódios recentes envolvendo mudanças nas categorias da premiação, argumentando que artistas que desafiam os limites estabelecidos de gênero, origem ou público acabam frequentemente criando discussões sobre onde exatamente devem ser encaixados.
Com “Arirang”, o BTS decidiu não aceitar essa classificação e optou por retirar o próprio álbum da disputa. A atitude transforma o Grammy em palco de uma discussão maior: até que ponto a música precisa ser dividida por origem, idioma ou identidade para ser reconhecida?
POR: Tamiris Felix
BTS abre mão do Grammy 2027 e explica decisão após criação de categoria para pop asiático













